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A Beleza de uma Estrada

Tem algo de belo e impessoal na estrada
Fato.
Não dá para notar isso nas nuvens.
Lá, por muitas vezes,
Achamos que o certo é ar condicionado
A tranquilidade de mover-se parado,
Uma inércia de primeira classe
Aquela coisa que vem dentro da embalagem
Esquecemos o vento no rosto
A tremedeira nos pés
O calor de um chão pastoso
Contentamos-nos com as nuvens
Com o azul e janelinha de cativeiro
Acreditamos que a velocidade
É que nos aproxima de nosso desejo
Não sentimos o estresse
Não temos que usar retrovisor
Só vemos a hora que sobe e desce
E as curvas não afetam a direção de nosso sensor
Por isso, quase inteiramente, por tudo isso
Há algo de belo e impessoal na estrada
A insegurança de um desvio
A longa jornada
O velho câmbio enferrujado
O tal freio de mão
Aquele longo chão
De tão velho socado
Que mostra a verdadeira força
Da estrada à sobreviver...
A lombada,
O aviso amarelo,
Aquela curva tão acentuada
Que nos sentimos meio incerto
A estrada, para mim, é como uma vida
Uma metáfora, para ser mais precisa
Sempre precisamos sentir o pânico
Antes de desejar o voo mais seguro
E eu sei que nosso tempo é eletrônico
E crianças brincam bem com aviões de futuro
São quase todas admiradoras do céu
Do dizer “fui de avião”
Do saber que as nuvens não são de mel
Mas, eu, contudo, sou uma coisa abstrata

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