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Dissecando o amor no coração

Eu sei que vão me criticar por isso
Mas tenho que alertá-los
O amor não mora no coração
Eu olhei bem dentro daquilo
E tentei de tudo localizá-lo
Mas o amor não mora no coração.
Esse, nem sequer tem aquela forma
Que o cupido carrega nas costas
Não...
Parece um amontoado de válvulas
Aurículas e ventrículo,
Tem veia para toda aorta
E artéria para todo orifício
Tive que abri o coração
E olhar bem dentro de sua zona apical
Mesmo assim,
Não vi lá o que dizia na canção
Nem tão pouco,
A sombra de algo existencial,
Para mim,
O coração bate para bombear sangue
Fazer o corpo funcionar
Tem válvulas para todos os tanques
E sangra por sangrar
Já, contudo,
O amor não está lá
Não que não exista
É apenas uma outra forma de olhar
Talvez, o amor venha de outro lugar
E toda essa história
Não passe de uma superstição amorosa
Talvez, o amor esteja no cérebro
Na transmissão do nervo óptico
Lá, quando pela íris, cristalino e o ponto cego,
O olho capta a imagem
Esse transmite ao cérebro
Dizendo “bem, ela é uma paisagem!”
Ou talvez,
O amor esteja no paladar
No momento que minha língua
Tua boca encontrar,
Ou pode ser, também
Que o amor esteja na ponta do dedo
Quando no horizonte além
Ele aponta o que eu desejo,
E se nem nessas coisas
O amor se encontra
Não quer dizer que não existe
Ele ta onde mesmo se estranha
Onde talvez você nunca tivesse visto
Talvez, o amor,
Então, esteja no ouvido
Naquela forma de escutar
A palavra que tão bem é pronunciada
As vezes faz mais bem
Ouvir do que falar
E sentir do que imaginada
Eu não sei bem onde o amor está
Mesmo tendo procurado com toda atenção,
Mas não se assuste se não encontrar
É capaz apenas que não esteja no seu coração...

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