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O véu das flores


Essas flores,
que lhe acompanham,
não sei por qual motivo,
Tem que estarem vivas.

Sinto-me mal por fazer isso.
É quase um assassinato.
Elas,
tão coloridas,
arrancadas de um solo fértil
(como uma donzela tomada dos braços de seu marido),
postas em uma caixa de madeira
esculpida por mãos sem pele,
E você...

Você que é tão cinza nesse momento.
Cercado por outros seres tão sem cor e sem vida,
O que as flores fizeram para merecerem isso?
Qual o crime delas?

Não,
Não foi crime algum
A vida é injusta,
Tanto para você, quanto para elas.
Não sei quais foram teus sonhos,
Quem foram teus amigos,
Muito menos,
O que diabos as flores pensaram...

Só sei que agora,
neste véu fúnebre de emoções idiotas,
Estou matando mil flores a te colorir...
Elas, que precisam de água pra viver,
Hão de beber teu sangue,
Elas, que precisam de sol para viver,
Hão de alimentar-se de escuridão,
E você,
Que há de apodrecer,
Não será tão trágico quantos elas.
Pois,
Não há pior e mais cruel assassinato
do que matar a natureza,
enfeitando seu caixão.  



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