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Pagando o pato

Do lago, alugado,
Há um manancial de pequenos atributos
Quase todos, de valores absurdos,
Que vez ou outra vale o aluguel
Dia desses,
Assim, meu amigo Miguel
Convidou-me para apaziguar
Era uma dessas
Novas formas sociológicas
De socializar
Disse-me, porém,
Com um entusiasmo pessimista
“quero ver se tu paga o pato
Por toda alquimia”
Pegou um pedaço de granito
De cinco polegadas
E atirou no manancial proibido
Vendo ela dá suas pipocadas
Apontou-me o dedo
E disse:
Ta vendo?
Ela “quica” sem nenhum passado!
Com vagos pensamentos filosóficos
Mandou-me jogar o meu calcário
Pensei: “dane-se o óbvio”
E acabei matando um pato!

Oxe,
O pato por sua vez
Por ali havia pensado
“que droga de mês,
ainda não recebi meu salário”
Foi fazer firula
Para atrair cliente
Enfeitar belezura
No cintilante lago transparente
E acabou levando uma pedrada
Bem no meio da nuca
Morreu sem nunca ter recebido a tal mesada
Para encher a barriga crua
E agora?
O que é que me resta?
Apenas a moral da história
E é essa...
Nunca atire a segunda pedra

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