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O Sarro

Não tire o sarro da minha cara.
Por favor, não.
Deixe-o bem onde ele está.
Tire os olhos, o nariz,
A boca, ou até mesmo,
O ouvido,
Mas o sarro, não.
De sarro,
É o único que tenho em minha cara,
E é preciso saber preservá-lo.
É preciso,
Pois, é raro.

Um poeta sem teu sarro,
Não é verdadeiramente um poeta,
É só mais um rosto qualquer,
Repleto de olhos, narizes,
Sobracelhas, ouvidos,
E todos aqueles conjuntos
Idílicos de um ser qualquer...

O sarro é meu.
Então, por favor,
Não tire o da minha cara.
Tire,
Até a minha alma,
Se é que é preciso tirar alguma coisa...
Mas sem um sarro,
Sem esse especifico sarro,
Como é que vão saber distinguir o poeta de outra pessoa?

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