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Por isso mesmo


É porque eu nasci lá,
Lá mesmo no bairro da loucura,
Perto da casa número treze.
Vim com três nós de arruda,
E laço estranho de enfeite.

Sem Cep,
Ou outro tipo de endereço,
Na certa, bem por isso mesmo,
Fui mandado embora,
Antes de completar minha horda..

O velho ancião,
Um sujeito de barbas brancas,
E cajado na mão,
Disse em decreto:

“Poeta, você não pertence aqui.
Para amar nosso bairro,
Tem que ser do nosso bairro!

Tem que gostar de pássaros,
Escrever sobre carambolas,
E outras coisas da roça...

Tem que ter,
Além de sobracelhas grossas,
Um cabelo malucão...

Ser alternativo,
No melhor cópia de tudo aquilo,
Que eu disse sem dizer...”.

E antes mesmo de completar a poesia,
Fui embora
Para Deus sabe onde cabe a minha vida,

Achei que para ser do bairro,
No mais que era necessário,
Amar as confluências de meus conterrâneos,
Era-me o que bastava...

Agora sei,
Que bairrismo não é mesmo a minha cara!

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