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Filosofia de Rua


Esses dias
ao passear no centro,
deu-me uma vontade insana
de comer um churrasquinho de rua.
O aperitivo era,
Contudo,
Coração de galinha.
Que vida, não?
Nós humanos,
Como somos,
famintos,
e tristonhos,
Imaginamos que galinhas não amam.
Galinhas são galinhas.
Aves que não voam,
Burras e esquisitas.
Há, quem diga,
Que se galinha amasse
Ovos não poriam.
E, no entanto,
Estacamos seus corações
Em espetos de churrasquinho.
Passamos sal,
Molho,
E até mal.
De vez em quando,
Tacamos uma pimentinha.
Que é para acirrar o tempero.
Mas nunca nos perguntamos
Se há amor nesse coração.
Às vezes,
Deve ser por isso mesmo,
Que quando somos devorados,
Ficamos tristes por ninguém notar
Nossa terrível aflição.

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